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Os menores juros da história

AUTOR: Yan Cattani - 13/04/2018


Nesta semana houve uma série de divulgações importantes para análise dos próximos passos de nossa economia. A começar com os dados fiscais, que mostraram uma forte arrecadação federal, indicando uma melhoria da atividade econômica. Foram conhecidos também as informações referentes ao mercado de crédito, que continuam apontando melhorias em termos de concessão de crédito e inadimplência, com pessoas voltando a adquirir crédito gradualmente, mas com manutenção de baixa inadimplência.

Mas talvez as informações mais importantes tenham vindo do Banco Central. A autoridade monetária divulgou a ata da última reunião do COPOM e o relatório de inflação, além de ter promovido uma mudança intensa na política de crédito, mudando as regras das reservas compulsórias. Vou explicar tudo isso adiante.

Primeiramente, acho que vale a pena mencionar como o mercado lê tais instrumentos. O Comitê de Política Monetária (COPOM) se reúne cerca de 8 vezes ao ano, em datas pré-estabelecidas, para discutir os rumos da política de juros no país. Nesta última semana ele optou por baixar ainda mais os juros, em 6,50%, além disso, afirmou que vai baixar ainda mais, em 6,25% na próxima reunião, também avisando que esta tendência de queda poderá se intensificar, a depender do andamento da atividade econômica.

Um breve parênteses aqui: por juros, entenda-se os juros básicos dos títulos públicos, e não os juros finais cobrados aos consumidores ou empresas, como por exemplo o das prestações de uma compra parcelada de uma TV nas casas Jamaica. Mas ainda assim, guardam uma relação direta com os juros finais cobrados no mercado, uma vez que as instituições de crédito, bancos e financeiras, têm como parâmetro de custo de captação os juros dos títulos do governo. Isso ocorre porque as instituições financeiras têm o seguinte custo de oportunidade ao decidirem se cedem crédito a alguém: investir num título do governo e não ter preocupações de remuneração, ou arriscar a emprestar por alguém e cobrar um pouco mais por isso? Por isso, se você estranhou em falar em juros de 6,50%, é justamente por essa razão de que o BC não controla os juros finais, mas sim os básicos.

Voltando ao foco, ocorre que, o diagnóstico do BC de baixar ainda mais os juros básicos, a famosa taxa Selic, deve-se ao comportamento benigno da inflação em geral, pois é para isso que a Selic serve, controle de preços. É só pensar na seguinte situação: se tenho juros mais caros, prefiro esperar uma situação melhor para comprar minha TV, minha casa, entre outras coisas. Juros caros inibem consumo, portanto, impedem uma escalada de preços na economia. Como nosso histórico de inflação é complexo, juros altos sempre fizeram parte de nossa rotina nas últimas décadas, o que, felizmente de uma maneira ou de outra ajudaram a manter a estabilidade da moeda. Quem nasceu antes de 1994 sabe muito bem o que estou falando.

Enfim, o que devemos então tirar de conclusão de toda essa história, cheia de spin-offs? O BC baixou os juros a um nível recorde porque a economia ainda não está reagindo e vê espaço para isso, dada a baixa inadimplência. Em paralelo, os preços (inflação) estão naturalmente sendo controlados pela dinâmica de baixo consumo, oferta grande de alimentos (ano passado tivemos uma bela safra, e tudo indica que nesse ano também), então, temos menos necessidade de elevação de juros.

Como se não bastasse, o outro diagnóstico do BC, promovido pela divulgação do Relatório Trimestral de Inflação, mostrou que o que impulsionou um pouco mais a atividade econômica no ano passado foi justamente a liberação de saques do FGTS. Ou seja, se não tivéssemos uma ajuda amiga do governo que liberou o nosso dinheiro para nós mesmos gastarmos (não sei porque temos que esperar 3 anos para usarmos o FGTS, mas enfim né), talvez nosso crescimento de 1% em 2017 não tivesse sido uma verdade ¿ crescimento pífio, diga-se de passagem, mas ainda um crescimento.

Tendo em vista essa preocupação, o BC "aprontou" mais uma nesta semana, como se não fosse suficiente. Mas foi mais uma sapequice do bem. Liberou o chamado "encaixe", reserva obrigatória que os bancos têm que manter em sua carteira", de 40% do total de reservas para 25%. Resumidamente, quando você deposita seu dinheiro no banco, ele não fica parado, pois ela usa seu dinheiro para emprestar para alguém que o usa como empréstimo. Obviamente, quando você necessita desse valor, a instituição bancária é obrigada a devolvê-la prontamente, e por isso a necessidade do encaixe, uma reserva caso as pessoas queiram de volta seu dinheiro. Como a probabilidade de todo correntista fazer isso ao mesmo tempo é quase nula, por isso a exigência de uma reserva compulsória menor faz sentido em nossa atual situação.

Ou seja, vem mais diminuição de juros por aí. Dessa vez, uma redução que deverá atacar justamente os juros finais para consumidor e empresas. São mais de R$ 25 bilhões de reais (estimativa do BC), que deverá vir como novas linhas de crédito, que já estavam com os bancos, mas que não podiam ser até então utilizadas por eles. Vamos ver se agora a economia deslancha.






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